Escrevo porque as palavras não se calam.
Elas me cercam, me divertem.
Invadem o meu deserto,
O meu recanto e o meu silêncio.
Brincam, bailam, riem, choram,
Afloram meus pensamentos.
E não se calam em mim...
As vezes surgem em forma de canto.
Em outras são o meu pranto.
As vezes são nítidas e profundas.
Em outras, obscuras e confusas
Mas não se calam em mim...
Elas chegam sem prévio aviso.
Falam alto aos meus ouvidos.
Outras sussurram...
Nem sempre o certo.
Nem sempre o insensato.
Mas nunca se calam em mim...
Elas têm sempre algo a dizer.
E eu acabo por me envolver.
Então escrevo, escrevo, escrevo...
Não me pergunte. Não sei o porquê.
Não me contaram os seus segredos
Apenas se manifestam em meus dedos.
Só sei que não se calam em mim...
Elas chegam contando histórias.
Me falam de coisas da vida.
De coisas descabidas.
De amor sem medidas.
Me falam do passado.
Me falam do presente.
Jamais se calam em mim...
As palavras são destemidas.
Me encorajam e me fazem viajar.
Numa dimensão sem limites.
Me profetizam, são minha sina.
E nunca determinam um fim.
Elas não se calam em mim....
(Lu Nogfer)







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