"Ela sempre foi sensata e cheia de princípios...
Sempre viveu uma vida um tanto dura e regrada.
O que a fez com que não desse valor
A supérfluos e nem futilidades.
A fé em Deus sempre fora o esteio
Para não deixá-la fugir dos seus propósitos.
E isso fazia com que a voz do seu coração
Chegasse legível aos seus ouvidos.
Embora nunca fosse sufocada
Pelos próprios sentimentos,
Vez ou outra punha o dedo na tomada,
Só pra saber se suportaria o choque.
Sabia que era pura teimosia
Dar murros em ponta de faca.
Mas continuava, mesmo sabendo
Que dali não sairia nada
Com o tempo foi percebendo
Que quando a insistência não leva a nada,
É hora de praticar o desapego
E de esquecer aquele velho repertório da vida,
É hora de deixar para trás
A bagagem que tanto incomoda.
Percebera em tempo
Que todo momento é singular,
Mas algumas coisas não são para sempre.
E ainda que doam alguns fragmentos...
A insistência dos murros
Cria um perfeito antídoto.
Hoje, com um pouco mais de lucidez...
Com mais visão na alma do que na retina,
Olha a sua volta, reflete, respira fundo e diz:
Apesar de tudo, estou bem. Estou feliz.
Afinal, não dizem que é isso que mais importa?
Assim sendo conclui:
Que apesar de estar protegida por um forte antídoto,
Sua memória nunca mais será a mesma.
E não importa em que canto do mundo esteja,
Ela jamais se esquecerá dos seus entes mais queridos.
Ela jamais esquecerá de dizer que os ama!"
(Lu Nogfer)
(Mais um texto inspirado em minha heroína mãe.
Quem me dera ter a força que ela tem!)


