
Ela chega sem hora marcada
Da forma que vem, esvai-se
Tímida ou despudorada
Mente e poros, invade
Vem chegando mais perto
Como quem não quer nada
Chega desvendando mistérios
Como se fosse um presságio
Hoje chegou de repente
Criando um obsceno clima
Invadiu sem pedir licença
Espalhando versos em rimas
Chegou matando o tempo
Controlando a situação
Desafiando o momento
Tornou refém, o coração
Desta vez não trouxe recato
Despiu-se de todo pudor
Atrevida, invasiva, ávida...
Vestia paixão em ardor
Não tratou de ser discreta
Como tantas outras vezes
Precisava jogar para fora
Alguns delírios e desejos
De um romântico quarto
Encontrou a porta aberta
Adentrou sem resguardo
Cobrindo-se apenas de pétalas
Dopou-se de palavras sem ética
Desnudou-se, inteirinha
Mas na hora de se pôr em prática
Escondeu-se nas entrelinhas
Amanhã quem sabe ela volta...
E traga alguns devaneios?
Talvez venha vestida de fada
Trazendo menos anseios
Talvez generosa, me traga
Alguns versos perfumados de flores
Me sopre um poema en[cantado]
Me fale da vida e de amores...
Talvez me traga um conto com graça
Preenchendo qualquer vazio
Ou quem sabe, uma doce prosa
Vestida de poesia?
(Lu Nogfer)

